As reformas expressam a superação de uma estrutura religiosa medieval e feudal, não apenas no que toca à fé católica, mas principalmente em seus aspectos econômicos, sociais e políticos. A influência do Renascimento Cultural, no sentido de romper com o monopólio cultural exercido pela Igreja Católica na Idade Média foi substancial para esse processo. O Renascimento Cultural teve, de imediato, o efeito de possibilitar a aceitação de conceitos e divisões de mundo diferentes daqueles impostos pela Igreja Católica. Pela primeira vez, o ato de questionar e propor novas concepções foi disseminado em proporções influentes na sociedade feudal transitória da época. A contestação de dogmas, portanto, foi um ponto evidente no período.
Também se deve lembrar do surgimento do Humanismo, um movimento intelectual inspirado na civilização greco-romana, que valorizava um saber crítico voltado para um maior conhecimento do homem e uma cultura capaz de desenvolver as potencialidades da condição humana. Num primeiro momento, o Humanismo foi absorvido pela própria Igreja, através das universidades e da nova teologia representada pelo Tomismo, uma vertente teológica que propõe a fusão da fé com elementos do racionalismo greco-romano.. Isso pode ser visto como uma abertura da Igreja ao racionalismo e a uma visão de mundo mais humanística, se comparada ao forte teocentrismo que prevalecera até ali. Essa "reforma teológica" representa uma atitude da própria Igreja no sentido de reformular suas estruturas para tentar adequar-se às mudanças vigentes naquele tempo, época marcada pela transição de um modo de produção feudal para um capitalismo emergente, época de efervescência cultural e comercial. Era, então constatada a inadequação da antiga estrutura religiosa feudal aos novos tempos.

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