domingo, 1 de julho de 2012
terça-feira, 26 de junho de 2012
O devir implacável dos dias
A irrequietude e a agonia
O inferno dantesco, a melancolia
O eventual esquecimento
O devir implacável dos dias...
A lembrança intermitente, a solidão complacente
Tua existência latente, minha paixão dissolvida.
Meu sentimento ardente
Tua ignorância fria!
Meu objetivo telecinético
Tua realidade preenchida.
Minha decadência inóspita
Tua evolução frígida!
Um emaranhado trágido
A experiência empírica,
Pleonasmos pedantes
Versos corrompidos, hermeticamente preenchidos
Crentes da soberania, pela esperança embebidos,
Fadados à sepultura tardia.
Poderia evitar toda a agonia!
Não fosse minha insistência, esse ímpeto,
Tamanha rebeldia...
Em te odiar durante quase um segundo,
Depois te amar ainda mais.
O inferno dantesco, a melancolia
O eventual esquecimento
O devir implacável dos dias...
A lembrança intermitente, a solidão complacente
Tua existência latente, minha paixão dissolvida.
Meu sentimento ardente
Tua ignorância fria!
Meu objetivo telecinético
Tua realidade preenchida.
Minha decadência inóspita
Tua evolução frígida!
Um emaranhado trágido
A experiência empírica,
Pleonasmos pedantes
Versos corrompidos, hermeticamente preenchidos
Crentes da soberania, pela esperança embebidos,
Fadados à sepultura tardia.
Poderia evitar toda a agonia!
Não fosse minha insistência, esse ímpeto,
Tamanha rebeldia...
Em te odiar durante quase um segundo,
Depois te amar ainda mais.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
quinta-feira, 14 de junho de 2012
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Interlúdio
As reminiscências permanecem nítidas
A epítome da lembrança permanece incólume
Quando mais poderei recuperar as horas perdidas?
Em que apenas se especulou nos meus sonhos a tua vinda.
Quando mais terei forças para derrubar os agonizantes muros?
Permanecem, por agora, intransponíveis!
E assim permanecerão, até o glorioso dia
Portanto, deverias me socorrer, meu amado
Mas o que me resta?
Se permaneces na indolência do cronos, inviolado
Aguardando um movimento que só pode ser teu, intrínseco!
Queria eu poder efetuar tal movimento por ti
Não fosse a minha inércia semelhante à tua!
Lastimável, estática, crua.
Mas a esperança é um interlúdio,
E quando chegar o esplendoroso momento,
O dia em que conceberás minha alma, cálida e nua,
Poderei então gozar do teu amor etéreo e sedento.
A epítome da lembrança permanece incólume
Quando mais poderei recuperar as horas perdidas?
Em que apenas se especulou nos meus sonhos a tua vinda.
Quando mais terei forças para derrubar os agonizantes muros?
Permanecem, por agora, intransponíveis!
E assim permanecerão, até o glorioso dia
Portanto, deverias me socorrer, meu amado
Mas o que me resta?
Se permaneces na indolência do cronos, inviolado
Aguardando um movimento que só pode ser teu, intrínseco!
Queria eu poder efetuar tal movimento por ti
Não fosse a minha inércia semelhante à tua!
Lastimável, estática, crua.
Mas a esperança é um interlúdio,
E quando chegar o esplendoroso momento,
O dia em que conceberás minha alma, cálida e nua,
Poderei então gozar do teu amor etéreo e sedento.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Primórdios das Reformas Religiosas
As reformas expressam a superação de uma estrutura religiosa medieval e feudal, não apenas no que toca à fé católica, mas principalmente em seus aspectos econômicos, sociais e políticos. A influência do Renascimento Cultural, no sentido de romper com o monopólio cultural exercido pela Igreja Católica na Idade Média foi substancial para esse processo. O Renascimento Cultural teve, de imediato, o efeito de possibilitar a aceitação de conceitos e divisões de mundo diferentes daqueles impostos pela Igreja Católica. Pela primeira vez, o ato de questionar e propor novas concepções foi disseminado em proporções influentes na sociedade feudal transitória da época. A contestação de dogmas, portanto, foi um ponto evidente no período.
Também se deve lembrar do surgimento do Humanismo, um movimento intelectual inspirado na civilização greco-romana, que valorizava um saber crítico voltado para um maior conhecimento do homem e uma cultura capaz de desenvolver as potencialidades da condição humana. Num primeiro momento, o Humanismo foi absorvido pela própria Igreja, através das universidades e da nova teologia representada pelo Tomismo, uma vertente teológica que propõe a fusão da fé com elementos do racionalismo greco-romano.. Isso pode ser visto como uma abertura da Igreja ao racionalismo e a uma visão de mundo mais humanística, se comparada ao forte teocentrismo que prevalecera até ali. Essa "reforma teológica" representa uma atitude da própria Igreja no sentido de reformular suas estruturas para tentar adequar-se às mudanças vigentes naquele tempo, época marcada pela transição de um modo de produção feudal para um capitalismo emergente, época de efervescência cultural e comercial. Era, então constatada a inadequação da antiga estrutura religiosa feudal aos novos tempos.
Também se deve lembrar do surgimento do Humanismo, um movimento intelectual inspirado na civilização greco-romana, que valorizava um saber crítico voltado para um maior conhecimento do homem e uma cultura capaz de desenvolver as potencialidades da condição humana. Num primeiro momento, o Humanismo foi absorvido pela própria Igreja, através das universidades e da nova teologia representada pelo Tomismo, uma vertente teológica que propõe a fusão da fé com elementos do racionalismo greco-romano.. Isso pode ser visto como uma abertura da Igreja ao racionalismo e a uma visão de mundo mais humanística, se comparada ao forte teocentrismo que prevalecera até ali. Essa "reforma teológica" representa uma atitude da própria Igreja no sentido de reformular suas estruturas para tentar adequar-se às mudanças vigentes naquele tempo, época marcada pela transição de um modo de produção feudal para um capitalismo emergente, época de efervescência cultural e comercial. Era, então constatada a inadequação da antiga estrutura religiosa feudal aos novos tempos.
domingo, 10 de junho de 2012
Resenha: O Processo, de Franz Kafka
A minha experiência com esse livro é bem peculiar. Nunca havia ficado sem fôlego ao ler alguma coisa, e esse livro me tirou o ar várias vezes. Uma sensação de sufocamento e melancolia, misturados com uma ansiedade interminável para saber no que vai dar tudo aquilo. O filme de Orson Welles também é aprazível, mas recomendo que o livro venha antes.
O Processo se apega a uma crítica da verticalização da desesperança. Uma crítica, antes de mais nada, ao individualismo - aspecto marcante da obra, que vai ao extremo do isolamento e do desespero, numa atmosfera onde há ausência de solidariedade. Uma crítica ao objetivismo, mostrando que esse, ao invés de libertar-nos, apreende-nos. Em quase nenhum momento o senhor K. se encontra efetivamente sozinho, mas sente-se sozinho. Não há ideia alguma de solidariedade, os indivíduos não conseguem estabelecer conexões significativas, e isso fica bem claro em vários momentos, como quando o senhor K. tenta estabelecer uma conversa com o seu advogado, mas em nenhum momento encontra resposta ou ao menos indícios do motivo pelo qual foi condenado. Decerto há interação entre eles, porém, são conexões frágeis, insignificantes, o que caracteriza a existência de uma solidão coletiva. Talvez possamos dizer que são corpos isolados, inclusive no hemisfério de seus próprios desejos e ideias. Essa demonstração - a ausência de contatos significativos - é típica da contemporaneidade: um extremo de isolamento. Também percebe-se a recusa de qualquer sentido geral para as coisas, porquanto tudo o que acontece possui apenas um sentido individual. O senhor K. procura uma razão geral, um motivo que proporcione o sentido do geral para o particular: alguém o acusa, ele se angustia com isso, mas não se explicita em momento algum o sentido geral para isso.
O resultado é um abismo: quanto mais ele procura a lucidez, mais adentra em um universo nonsense. Isso é perturbador. Quando o senhor K. entra no tribunal, não encontra sentido, não encontra sequer a existência de um método legítimo para comprovar sua acusação. Não encontra seriedade no juiz, uma figura imponente e distante dele, metafisicamente falando. Ele entra em colapso, experimenta um sentimento de desesperança total, em que a objetividade das coisas inexiste, apesar de ser comprovada naquela lei, naquele ordenamento! É uma atmosfera labiríntica, obscura, mística. A lei alcança tudo, mas essa objetividade não ajuda a obter um sentido finalístico dela, ou ao menos saber qual a nossa posição perante ela. Na objetividade cabe tudo - inclusive a loucura. O extremo da objetividade científica é o desespero, são labirintos aos quais estamos presos. O cientificismo produziu pesadelos modernos. O rigor objetivo não necessariamente nos leva a um resultado equilibrado, pelo contrário. O excesso de objetivação individualista é a própria negação do individualismo e das diferenças.
O Processo, portanto, é um livro que fora constituído como um contraponto aos delírios de magnificência da ciência contemporânea, do individualismo e da objetividade absoluta da lei. Ele vê esses princípios de forma profundamente crítica, demonstrando que extrair todos os valores da lei pode não resultar nos seus próprios pressupostos. É nesse plano que O Processo se ratifica. Há a necessidade de questionar a culminância disso. Qualquer reformulação ou contestação que fizermos a esse processo deve partir do pressuposto de que a ciência não é a única forma de alcançar a verdade. O seu excesso de objetivismo é indubitavelmente um erro.
Antecipação
A tendência é endurecer,
Tornar-se frígido
Entristecer, acinzentar o âmago
Alienar-se, deturpar o canto.
A massa acinzentada, condensar-se
Num imbróglio parvo, inconsistente
Na crença fútil, decadente
No problema provisório e banal.
Aonde foi aquela alma?
Um dia fora lúcida!
Dela restou apenas a epítome da lembrança
E a nitidez tão almejada
Perdeu-se através do cronos.
Daria tudo pela restauração!
De ideias e atitudes
Antes vivas, verdejantes
Hoje mortas, transeuntes
Vazias de apontamentos e virtudes.
Tornar-se frígido
Entristecer, acinzentar o âmago
Alienar-se, deturpar o canto.
A massa acinzentada, condensar-se
Num imbróglio parvo, inconsistente
Na crença fútil, decadente
No problema provisório e banal.
Aonde foi aquela alma?
Um dia fora lúcida!
Dela restou apenas a epítome da lembrança
E a nitidez tão almejada
Perdeu-se através do cronos.
Daria tudo pela restauração!
De ideias e atitudes
Antes vivas, verdejantes
Hoje mortas, transeuntes
Vazias de apontamentos e virtudes.
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